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A gestão dos recursos humanos em tempos de crise e a ressignificação do trabalho

A pandemia do novo coronavírus e a necessidade do isolamento social inverteram essa lógica de cautela e aceleraram os investimentos: a digitalização tornou-se obrigatória para manter o funcionamento e a competitividade das companhias.

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Pudemos observar empresas e organizações de todo o mundo promovendo a transformação digital de modo lento e gradual, principalmente na área de Recursos Humanos. A pandemia do novo coronavírus e a necessidade do isolamento social inverteram essa lógica de cautela e aceleraram os investimentos: a digitalização tornou-se obrigatória para manter o funcionamento e a competitividade das companhias.

A Covid-19 está ressignificando o trabalho no mundo inteiro e quebrando velhos paradigmas, mudando para sempre a maneira como trabalhamos. A inovação não é mais uma opção: de agora em diante, ela deve estar na agenda das empresas, buscando antecipar cenários, tendências e comportamentos. Gestores resistentes e céticos em relação a práticas como o home office, por exemplo, passaram a serem obrigados a adotá-las.

Já está comprovado que o home office aumenta a produtividade dos colaboradores. Uma pesquisa da Harvard Business Review estimou esse aumento em 4,4%. Durante minha trajetória profissional na área de Recursos Humanos, fica nítida a diferença positiva que a flexibilidade no local de trabalho traz para a motivação das pessoas, o equilíbrio com questões pessoais e consequentemente para a produtividade.

Empresas que adotam o home office há algum tempo, e que possuem mentalidade e processos digitais, tiveram mais facilidade para se adaptar às medidas de isolamento, cuidando de suas pessoas e mantendo seus negócios funcionamento. Essa, porém, não é a realidade da maioria das companhias no Brasil. Por isso, trago alguns pontos que considero importantes para a adoção do trabalho remoto de maneira eficiente.

É preciso lembrar que o ser humano é o que realmente importa em qualquer empresa. Portanto, cuidar das pessoas e do seu bem-estar é imperativo. Num contexto de pandemia, a melhor pergunta a se fazer é: como a área de Recursos Humanos vai apoiar os colaboradores?

A resposta a essa pergunta vai depender muito da realidade de cada empresa. Para quem adotou o trabalho remoto, a necessidade primordial é oferecer um suporte técnico aos funcionários, garantindo condições de se conectar e realizar suas atividades de casa. Mas o apoio não pode parar por aí. Em uma situação completamente atípica e turbulenta, é normal que as pessoas se sintam ansiosas, receosas e confusas, seja com a mudança na rotina, seja com o medo de contrair a doença, seja com a convivência familiar diária, ou com o receio de perder seus empregos.

Na Wirecard, por exemplo, abrimos um canal de comunicação exclusivo para facilitar a troca de ideias e experiências entre todos nesse período. Além disso, foi disponibilizado um canal com profissionais especializados em sete áreas (financeiro, social, jurídico, psicológico, nutrição, educação física e fisioterapia) para ajudar os funcionários em suas necessidades.

Outro fator fundamental é o timing. As empresas devem saber quando se comunicar e devem fazê-lo de maneira transparente com os colaboradores, sabendo dar notícias boas e ruins de modo honesto e genuíno, promovendo a confiança e a colaboração entre os times, agora distantes fisicamente, e também aprendendo a ouvir mais. Quais são as percepções, as angústias, as esperanças de cada colaborador nesse período? Quais sugestões ele tem para que o trabalho remoto e a gestão melhorem? Como podemos contribuir com a sociedade?

Empresas são orgânicas, feitas de pessoas que estão, cada uma, assimilando o momento à sua maneira. Alguns funcionários podem estar com familiares doentes, outros podem estar se dividindo entre o trabalho e o cuidado com os filhos. Tolerância e flexibilidade são duas palavras-chave para lidar com todas essas variáveis. Acredito, portanto, que a figura da liderança neste momento é crucial para que empresas avancem com confiança, cuidando de seus colaboradores e identificando oportunidades em meio ao caos.

Novos tempos exigem novas soluções, mas acima de tudo uma mentalidade aberta ao novo e a novos normais cada vez mais incertos.

Por Michael Citadin, Head de Gente e Gestão da Wirecard

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